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Menina de cinco anos escapou de chacina ao ser escondida em máquina de lavar

Velório das quatro vítimas, todas da mesma família, ocorreu na tarde desta quinta-feira (10) no salão paroquial Santa Terezinha, no município da Região Metropolitana

11/01/2019 10h41Atualizado há 5 meses
Por: Josoel Silvestre
Fonte: Gaúcha ZH
Comoção no velório das quatro vítimas de chacina. Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Comoção no velório das quatro vítimas de chacina. Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A chacina que fez quatro vítimas em Triunfo, na Região Metropolitana, na manhã de quarta-feira (9) poderia ter sido ainda mais trágica. Uma menina de cinco anos estava na casa quando o autor das facadas chegou. Às pressas, foi escondida pelos tios dentro de uma máquina de lavar. Depois de sair ilesa, viu os parentes sem vida. Para evitar um trauma maior, o pai dela, o pedreiro Tarcísio Ribeiro da Silva, 34 anos, preferiu não levá-la ao velório da mãe, da avó e dos tios. Deixou-a com parentes em Guaíba.  

A despedida, que ocorreu no salão paroquial Santa Terezinha, em Triunfo, nesta quinta-feira (10), foi marcada por comoção e incredulidade. Ainda com dificuldades de acreditar na tragédia, viam, um a um, os caixões chegarem no local. 

As vítimas — todas da mesma família — foram mortas a facadas. O principal suspeito de ter cometido o crime é um vizinho de 45 anos. Na chacina, Silva perdeu a mulher Valéria Pereira Borges, 28 anos, com quem era casado há 11 anos. A mãe dela, Mirian Ribeiro Pereira, 52 anos, e dois irmãos, Valquiria Pereira Borges, 30, e João Paulo Pereira Borges, 21, também foram atingidos pelos golpes. 

Um dos filhos de Mirian, Vitor Manoel Pereira, chegou à casa minutos após a chacina e deparou-se com a cena.  Silva, cunhado dele, estava trabalhando em uma obra em Arroio do Sal, no Litoral Norte, quando recebeu ligação de um familiar, que contou, sem detalhes, o que aconteceu. Era perto do meio-dia quando atendeu ao telefonema. No entanto, só soube da chacina ao chegar na residência, por volta das 15h. Os corpos ainda estavam no local.

Em meio a tragédia, descobriu que uma das vítimas ajudou a conter o autor das facadas, poupando a vida da filha de cinco anos. O cunhado dele, João Paulo, segurou a porta de um cômodo ao lado do irmão Luís Gabriel Pereira Borges, 19 anos. As facadas conseguiram atravessar o revestimento e acertaram o jovem de 21 anos, que morreu no local. 

Homem avisou que iria "fazer limpa" na rua

Antes de esfaquear a família, o vizinho teria provocado. Segundo Luís Gabriel, o homem parou em frente à casa e abaixou as calças, mostrando os órgãos sexuais. Havia crianças na residência e o gesto do homem irritou os moradores, que passaram a discutir com ele. Momentos depois, o suspeito teria voltado para sua casa. Em seguida, teria saído com uma faca de açougue. As mulheres foram as primeiras a serem esfaqueadas, ainda do lado de fora da moradia. Luís Gabriel e João Paulo correram para tirar as duas crianças do pátio e trancaram a porta.

— Quando eu virei as costas ele estava esfaqueando todo mundo — conta Luís Gabriel.

O homem só parou quando outros vizinhos começaram a sair para a rua, assustados com a gritaria. Ao passar por uma mulher de 48 anos, que foi socorrer a família, apontou a faca e disse que ela seria a próxima vítima. Com medo de o homem voltar, ela, que pediu para não ser identificada, trancou-se em casa. O marido dela nem foi ao trabalho nesta quinta-feira. Há um ano, eles registraram ocorrência contra o vizinho devido a ameaças feitas por ele. Religioso, o suspeito costumava  fazer a pregação com som alto, colocando as caixas de som na janela de casa. A cena se repetia todo o sábado.

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— Ele não podia ver criança na rua ou carro estacionado na frente da casa dele que já começava a discutir — contou.

Segundo a vizinha, dias antes de cometer a chacina, ele ameaçava "fazer limpa" na rua, matando desafetos. A mulher conta que o suposto autor do crime teria forçado a família a  sair de casa e  ir para residência de parentes, em Cachoeirinha, também na Região Metropolitana. 

Para o delegado Lúcio Melo, responsável pela investigação, a retirada de familiares do local indica que a possibilidade do crime ter sido premeditado. No final da manhã desta quinta, a polícia pediu a prisão do homem, mas ainda não há retorno da Justiça.

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