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QUASE COLISÃO

Piloto relata quase colisão com outra aeronave no ar de Buenos Aires e chama controladora de ‘inútil’

A discussão começa quando o piloto da Avianca Argentina relata à funcionária que a aeronave passou pela outra a apenas 300 pés – cerca de 90 metros.

24/04/2019 15h54Atualizado há 4 semanas
Por: Gilmar Machado
Fonte: G1
No domingo (21), uma falha no controle de tráfego aéreo na Argentina quase causou uma colisão entre dois aviões em Buenos Aires, denunciou um piloto depois que um áudio da discussão entre ele e a torre no aeroporto foi divulgado. Nele, o comandante chama a controladora de “inútil”. O caso veio à tona nesta terça-feira (24)
Segundo o site de notícias argentino Infobae, o incidente ocorreu no aeroporto Jorge Newberry com um avião que decolava do terminal, da Avianca Argentina, e outro, da Austral, que pousaria ali momentos depois. Nenhuma das companhias se pronunciou.
A discussão começa quando o piloto da Avianca Argentina relata à funcionária que a aeronave passou pela outra a apenas 300 pés – cerca de 90 metros.
A distância é considerada muito curta, quase de colisão, porque os aviões costumam voar em aerovias separados por 1 mil pés de altitude (cerca de 300m).
Após ser alertada pelo piloto, a controladora respondeu: “Correto, senhor, na verdade tem razão. Se tiver que fazer [a reclamação] por escrito, faça”. “É a saturação que temos neste setor e neste serviço no momento”, completou a controladora.
Em seguida, o piloto – que não foi identificado – rebate: “A verdade é que são uns inúteis, esse é o problema”. A profissional retruca: “Então venha me dizer isso pessoalmente, por favor. Idiota”.
De acordo com o jornal “La Nación”, o piloto da Avianca Argentina envolvido na discussão se chama Julio Cresta. Ele negou ter xingado os controladores, disse que “havia outros pilotos falando no rádio”.
Cresta também afirmou que um sinal de alerta avisou a cabine sobre a aproximação das duas aeronaves. “Não se chegou a uma situação extrema, mas não deveria ter ocorrido”.
As aeronaves comerciais contam com dispositivos chamados de “TCAS”, que emitem alertas quando uma outra aeronave está próxima e há risco de colisão. Não está claro se o TCAS foi acionado.
O dispositivo emite um alerta quando uma aeronave está a 40 segundos de bater na outra, ou cerca de 6 km. Se os pilotos não fizerem nada, outro alerta é emitido a 25 segundos de uma colisão: o dispositivo orienta os pilotos, em inglês, a executar “manobras evasivas”: manda, por exemplo, um avião subir e outro descer.
Após a divulgação do áudio, a Empresa Argentina de Navegação Aérea (EANA), vinculada ao governo, abriu investigação sobre o incidente. A autoridade ainda não chegou a nenhuma conclusão sobre o que ocorreu.

Associação denuncia sobrecarga

A revelação levou a Associação de Técnicos e Empregados de Proteção e Segurança da Aeronavegação da Argentina (Atepsa) a denunciar às autoridades locais um “colapso” no sistema de controle aéreo do país. Em nota, a entidade manifestou apoio à controladora envolvida na discussão.
O secretário-geral da Atepsa, Jonatan Doino, disse que no domingo o número de voos registrados “superou a capacidade técnica e humana” dos controladores que trabalhavam em Buenos Aires.
“Além disso, não funcionaram as medidas de regulação que deveriam ser adotadas, pelas quais os controladores não são responsáveis. O espaço aéreo voltou a entrar em colapso”, criticou Doino.
O chefe da EANA, Gabriel Giannotti, negou ao “Clarín” que o tráfego aéreo esteja saturado. Ele admitiu, no entanto, que as equipes estão “obsoletas” e que “praticamente não houve investimento no setor aeronáutico nos últimos 20 anos”.
Segundo a agência EFE, o governo da Argentina adotou uma série de medidas para atrair novas companhias aéreas, algumas delas de baixo custo, e aumentar o número de voos nacionais e internacionais. A medida iniciada em 2015, com a chegada de Maurício Macri à Presidência, ficou conhecida como a “revolução dos aviões”.
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