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Vírus que pode ser confundido com resfriado traz riscos para bebês no inverno

10/07/2019 15h19
Por: Josoel Silvestre
Fonte: NSC
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Tempo frio e seco, espaços fechados e aglomeração de pessoas são a combinação perfeita para a propagação da bronquiolite. Apesar do nome pouco conhecido, é muito comum e pode ser facilmente confundida com um resfriado em adolescentes e adultos. Entretanto, ao se tratar de crianças o quadro muda. A estimativa da Sociedade Brasileira de Pediatria é que 15% dos prematuros e recém nascidos hospitalizados pela doença são posteriormente admitidos na UTI.

É o que explica a médica Claudia Lorenzo, Pediatra Neonatologista do Hospital Infantil Joana de Gusmão em Florianópolis. Segundo ela a maioria dos casos graves de bronquiolite ocorrem em bebês abaixo de 6 meses, pois nos primeiros momentos de vida o sistema imunológico ainda é imaturo, o que torna as crianças mais suscetíveis ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o principal causador do problema.

Os prematuros e bebês com doenças pulmonares e cardíacas crônicas devem receber imunização contra o vírus. A aplicação é feita mediante prescrição médica e fornecida gratuitamente pelo SUS desde 2013. Entretanto, ela é necessária apenas no chamado período de sazonalidade, quando há maior circulação do vírus. Na Região Sul ocorre entre os meses de abril e agosto.

— É fundamental esclarecer que não se trata de uma vacina. O que aplicamos nos bebês é um anticorpo pronto, por isso têm validade de um mês. A quantidade de doses necessárias é calculada pelo pediatra a partir de uma análise do quadro do paciente e leva em conta também a data de nascimento. Podem ser recomendadas até cinco aplicações, com intervalo de 30 dias cada. — comenta a médica Claudia Lorenzo

A pediatra explica ainda que no caso de crianças a partir dos dois anos sem fatores de risco os índices de complicações são muito baixos, semelhante aos adultos, onde não há necessidade de tratamento medicamentoso. Nas situações em que é preciso de algum tipo de intervenção, é normalmente feita em casa, com acompanhamento da febre, observação do padrão respiratório e cuidados para manter a hidratação.

— Quando há hospitalização por bronquiolite é para que se possa ofertar oxigênio aos pacientes. Se não há pneumonia associada, o tempo médio de internação não passa de cinco a sete dias. — afirma Lorenzo.

A bronquiolite não é uma doença de notificação compulsória (obrigatória) de acordo com o Ministério da Saúde, por isso não há dados precisos de incidência no país. Como a maior parte dos casos provocados pelo VSR não chega a ser grave, o teste para identificar o vírus também não está disponível na maioria dos hospitais. O diagnóstico normalmente é feito com base nos dados epidemiológicos e nos sintomas apresentados pelo paciente.

De olho nos sintomas

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, um resfriado é parecido com a bronquiolite no adulto e a criança com a doença apresenta inicialmente os mesmos sintomas: nariz escorrendo, tosse leve, febre, recusa das mamadas e irritabilidade. Em um ou dois dias o quadro evolui para tosse mais intensa, chiado no peito, junto de respiração rápida e com dificuldade.

Prevenção

A pediatra Claudia Lorenzo ressalta ainda uma série de cuidados que devem ser adotados para evitar a propagação do vírus, como a esterilização de superfícies e objetos que o bebê tem contato com a aplicação de álcool; Adultos resfriados devem evitar convivência ou então passar a utilizar máscaras quando estiverem próximos a recém nascidos; Lavar as mãos e higienizá-las com álcool 70%, principalmente antes de tocar os bebês; Por fim, também se sugere fugir de aglomerações e adotar a etiqueta da tosse.

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