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Daer vai manter radares móveis nas rodovias gaúchas, garante Eduardo Leite

Manifestação ocorreu após publicação de decreto do presidente Jair Bolsonaro sobre estradas federais

15/08/2019 16h25
Por: Josoel Silvestre
Fonte: Correio do Povo
Governador diz que omissão do Estado seria muito pior | Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini
Governador diz que omissão do Estado seria muito pior | Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini

Com a publicação da suspensão do uso de radares móveis em rodovias federais, o governo do Estado garantiu que não está em planejamento medida semelhante para as rodovias gaúchas. Ao contrário, o secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, reforçou que após o fim dos contratos de monitoramento por pardais em julho, os equipamentos móveis são fundamentais enquanto novos contratos não são firmados. 

O governador Eduardo Leite disse que a operação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) não mudará quanto ao emprego dos equipamentos na malha rodoviária gaúcha. "Pode haver reclamação sobre as multas, mas não tenho dúvida de que haverá muitas reclamações em eventual omissão do Estado se alguém tiver a vida de um parente ceifada por conta do desrespeito ao limite de velocidade".

Questionado sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro, Costella disse ser contrário a medida. "O que se tem que fazer é estudar a forma correta de utilização do radar. Não se pode ficar atrás de uma moita ou árvore para multar. Agora, estudos técnicos mostram que quando se retira os radares das estradas, há aumento da imprudência dos condutores e eu estou preocupado, porque amanhã pode ser (um acidente grave])com um ente querido ou um desconhecido. A perda de uma vida não tem preço e uma forma de conter a imprudência é com o uso de radares", disse após cerimônia de assinatura de ordem de serviço de asfaltamento de acesso a oito municípios.

Costella defendeu que possam ser realizados eventuais estudos para a modificação das velocidades máximas de algumas rodovias estaduais que têm como limite 80 km/h, "mas não se pode admitir motoristas trafegando a 170 km/h, conforme muito flagrantes recentes", sustenta. 

Em nota, a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários (FenaPRF) manifestou preocupação "com a real possibilidade de aumento da violência no trânsito" diante do despacho do presidente Bolsonaro. No texto, a entidade ressalta que "o trabalho e dedicação de cada policial rodoviário federal, com o auxílio de instrumentos e tecnologias na fiscalização e educação para o trânsito, têm contribuído para a diminuição dos números de acidentes e de vítimas do trânsito nas rodovias e estradas brasileiras". Além disso, acrescenta que a utilização de tecnologias na fiscalização é fundamental para a redução do alto número de acidentes e mortes no trânsito.

Licitação dos controladores de velocidade

Dois contratos para a instalação de pardais nas rodovias estaduais serão lançados no final. As propostas preveem a colocação de 25 aparelhos OCR leitores automáticos de placas, 25 câmeras de monitoramento, além de 93 lombadas eletrônicas. 

Os editais pretendem repor os controladores de velocidade, desligados no fim de julho com final dos contratos até então vigentes. Os equipamentos serão distribuídos em 24 rodovias estaduais.

O investimento é da ordem de R$ 354 mil por mês, totalizando R$ 8,5 milhões ao longo de 24 meses para os dois contratos. Esse é o valor global máximo estipulado. Estima-se que o valor efetivamente contratado venha a sofrer redução.

Detran-RS

Diretora institucional do Detran-RS, Diza Gonzaga criticou a decisão do presidente e afirmou que a suspensão do uso de radares móveis em rodovias federais coloca em risco muitas vidas. "Excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, álcool e direção são os grandes responsáveis por mortes nas estradas. No Rio Grande do Sul não é diferente", observa. Fundadora da Fundação Thiago Moraes Gonzaga, Diza explica que 45% das infrações registradas no Estado são por excesso de velocidade.

Ela reforça que existem estudos e dados técnicos que apontam que o aumento de velocidade está diretamente ligado à letalidade dos acidentes. Ao garantir que os problemas no trânsito deixam 40 mil mortos por ano no país, Diza reitera que o 'vilão' nas ruas e rodovias é o excesso de velocidade. "Uma criança atropelada a 40km/h tem 90% chance de sobreviver. Se ela for atropelada a 50km/h, a possibilidade de viver cai para 10%", completa.

Com a experiência de quem trabalha há duas décadas em campanhas de prevenção a acidentes de trânsito, ela pretende articular os Detrans de todo país para tentar barrar a proposta do governo federal. "A certeza da impunidade também gera essa violência. A certeza de que não vai ser punido vai estimular (esses motoristas). Prefiro a indústria da multa à da morte".

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