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ATAQUE A ESCOLA

Após ataque a escola em Charqueadas, pais e alunos começam a se recuperar das cenas traumáticas

Sobrevivente do ataque relata que fato uniu a comunidade escolar. Direção prepara recepção especial na retomada das aulas e planeja a troca de sala da turma vítima de violência.

24/08/2019 09h32
Por: Gilmar Machado
Fonte: Por Matheus Beck, G1 RS
Sala de aula foi atacada pelo adolescente — Foto: Bernardo Bortolotto/RBS TV
Sala de aula foi atacada pelo adolescente — Foto: Bernardo Bortolotto/RBS TV

A cidade de Charqueadas e o Instituto Estadual Educacional Assis Chateaubriand, aos poucos, começam a se recuperar do trauma causado pelo ataque ocorrido na quarta-feira (21) por um ex-aluno. As aulas serão retomadas apenas na segunda-feira (26).

Alunos, pais e professores percebem um aumento na presença de agentes de segurança pública, apoio psicológico e, principalmente, de estreitamento de laços entre toda a comunidade.

Layla Oliveira, 12 anos, era uma das meninas que estavam próximas à porta, na linha de ataque do adolescente de 17 anos que invadiu a escola. Ele jogou um coquetel molotov dentro da sala da turma 71, do 7º ano do Ensino Fundamental, e iniciou o tumulto. Enquanto os demais colegas fugiam pela janela, ela e o amigo Nicollas Carmargo tentaram sair para o corredor pela porta, onde estava o agressor.

Paralisada com a ação repentina, só não foi atingida por um golpe de machadinha porque Nicollas a empurrou para o lado contrário e bloqueou o caminho do agressor. O menino ficou com um corte de 5cm nas costas. Ela só não saiu ilesa devido a uma pequena queimadura no pé e ao susto, que motivou seu atendimento no hospital.

O que poderia ser pior foi atenuado pela ação de Nicollas, o "menino incrível", conforme ela define em uma postagem nas suas redes sociais.

"Eu agradeci a ele, e ele falou que não fez nada. Só fez o que deveria fazer na hora", conta. "A gente sempre foi muito grudado. Ficou mais forte."

O trauma pelo qual Layla passou se estende aos pais. A mãe da menina, a técnica de enfermagem Rosinha Corrêa da Silva, tem conversas recorrentes com a filha orientando que ela desabafe, que admita o medo que está sentido, mas que acredite que, com o tempo, conseguirá assimilar melhor o que passou.

Ela conta que, ao andar pela cidade dois dias depois, percebe a segurança reforçada em "pontos onde não tínhamos o hábito de ver".

A Secretaria Estadual de Educação deixou uma psicóloga à disposição das crianças que queiram buscar algum tipo de orientação. A comunidade, de maneira geral, está mais unida. Sua preocupação neste momento é manter vivo o sentimento de solidariedade que se criou entre a escola, as famílias e os alunos. Entre eles, a irmã do agressor, que, segundo Rosinha, estuda na sala ao lado de Layla.

"Falei para ela, no almoço, que encontre a menina e dê um abraço. Ela não tem culpa de nada. Não pode sofrer pelo que o irmão fez. A gente tem que apoiar ela. Está assustada, com medo. Tento mostrar esse lado", afirma.

Escola estuda trocar alunos de sala para evitar trauma

Na segunda-feira, quando o Instituto Estadual Assis Chateaubriand retoma as aulas, uma série de atividades será preparada para recepcionar os estudantes. Uma das medidas estudadas para evitar que os alunos do 7º ano do Ensino Fundamental revivam o trauma é trocá-los de sala.

Um dos motivos são os vidros quebrados e os danos causados pelo incidente. Outro é mudar o ambiente e, com isso, o foco das crianças sobre o assunto. A intenção, de acordo com a coordenadora Selma Brenner, é reforçar as mensagens positivas aprendidas com o fato:

"Estamos acompanhando cada criança, fazendo contato para saber como estão."

Além disso, está previsto um culto ecumênico, decoração com balões brancos e mensagens positivas e outras surpresas. A escola também espera retomar o uso de camisetas com dizeres afirmativos como "- violência, + amor", modelo semelhante ao usado pelo professor Juliano Mantovani (+ respeito, - violência) em sua participação nesta sexta-feira (23) no programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo.

Professor que defendeu alunos de agressor em entrevista para Fatima Bernardes — Foto: Reprodução/TV Globo

Menino teve corte de 5cm na região lombar — Foto: Arquivo Pessoal

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