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Após ataques a tiros e incêndios criminosos, BM reforça patrulhamento na maior reserva indígena do RS

Funai pediu ao Ministro Sérgio Moro intervenção federal

22/10/2019 18h32
Por: Josoel Silvestre
Fonte: Gaúcha ZH
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A tensão continua grande na maior reserva indígena do Rio Grande do Sul, a Guarita, situada entre os municípios de Tenente Portela, Miraguaí e Redentora, próximo à Argentina.

O cacique caingangue Carlinhos Alfaiate sofreu atentado a tiros e teve a casa incendiada no fim de semana por opositores que tentam tomar o poder na comunidade. Um aliado dele, com posto de "coronel" (índios do Sul usam hierarquia militar), também sofreu atentado a tiros na noite de segunda-feira (21), em Redentora.

E, na mais recente escalada de atemorizações, uma escola indígena fechou as portas na manhã desta terça-feira (22) e mandou os 174 alunos para casa, sem prazo de reabrir. O motivo: professores receberam mensagens de WhatsApp dizendo que o colégio seria incendiado por opositores do atual cacicado.

A escola ameaçada é a Rosalino Claudino, com 174 alunos, situada na Linha Bananeira, região que tem influência do atual cacique. Existem 12 colégios na área indígena.

— Vários professores receberam aviso para mandar a criançada para casa. Pelo sim e pelo não, pegamos todos e devolvemos aos pais. Aonde isso vai parar? É terrorismo — define um professor caingangue.

Os desafios à autoridade de Carlinhos Alfaiate partem do vice-cacique, Vanderlei Ribeiro, o Vandinho, que se intitulou novo chefe da reserva. Há relatos nas polícias Civil e Federal de que comandados dele e de outro chefe dissidente seriam os autores do atentado contra Alfaiate. Por outro lado, seguidores de Vandinho relatam terem sido presos e torturados por ordem do cacique atual.

O cacique Alfaiate passou a manhã trocando telefonemas com chefes indígenas de outras regiões do RS, como os das comunidades caingangues da Serrinha (próximo a Ronda Alta) e de Nonoai para alertar sobre o temor que existe na região.

— Não quero guerra, quero paz, mas as autoridades têm de agir e prender quem tumultua e me atacou — disse a GaúchaZH.

Para tentar coibir crimes registrados de lado a lado a Brigada Militar reforçou o patrulhamento na reserva da Guarita. Comboio de sete viaturas do 7º BPM, sediado em Três Passos, com guarnições armadas de fuzis, tem percorrido todos os principais pontos da área indígena, que tem 23 mil hectares e 17 núcleos habitados por índios. São mais de 7 mil caingangues e 800 guaranis.

É uma região gigantesca, quase toda cortada por estradinhas de terra que viraram lama nos últimos dias. Em muitos trechos, é impossível passar com veículo comum e só são percorridos em caminhonetes com tração 4 x 4. Os PMs, alguns deles também caingangues, param nas comunidades, conversam com índios, colhem informações sobre estocagem da armamento. Muitos indígenas pedem ação urgente da Polícia Federal (encarregada de zelar pela lei na área, que é federal) "para evitar um banho de sangue".

A Fundação Nacional do Índio (Funai) pediu ao Ministério da Justiça intervenção federal na aldeia, com envio de tropas (do Exército, da Força Nacional de Segurança ou da PF, ainda não se sabe). O ministro Sergio Moro ainda não definiu se aceitará o pedido.

Esse talvez seja o único ponto de convergência entre o cacique Alfaiate e seus opositores: nenhum dos lados quer a intervenção. A ideia desagrada também muitos empresários da região, como conferiu GaúchaZH. É que a comunidade indígena é a principal movimentadora da economia local.

Eventual intervenção pode gerar troca nos cargos de professores e agentes de saúde nomeados para atuar na área indígena (hoje, a maioria é ocupada por índios). E com menos indígenas no trabalho, o temor do empresariado é que ocorra crise econômica.

— O certo é prender quem cometeu crimes e definir a situação das lideranças. Os justos não podem pagar por quem pecou — pondera o dono de um restaurante de Tenente Portela.

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