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Crianças que tiveram bola confiscada por vizinha ganham terreno para jogar futebol

Terreno foi emprestado para as crianças do município de Presidente Dutra, no interior do Maranhão, após a história ter viralizado na internet na última sexta-feira (10).

14/01/2020 17h15
Por: Josoel Silvestre
Fonte: G1
Grupo de crianças procurou a delegacia após ter bola confiscada por vizinha no Maranhão. — Foto: Reprodução/TV Mirante
Grupo de crianças procurou a delegacia após ter bola confiscada por vizinha no Maranhão. — Foto: Reprodução/TV Mirante

Cinco dias após a história viralizar na internet, o grupo de crianças que tiveram a bola confiscada pela vizinha e que procurou a delegacia no município maranhense de Presidente Dutra, a 307 km de São Luís, ainda estão colhendo frutos por conta do fato inusitado. Dessa vez, as crianças ganharam uma área emprestada para jogar futebol e não correr o risco de ter a bola confiscada mais uma vez.

O local, que fica próximo onde os meninos costumavam jogar futebol, estava sem uso e coberto por mato. Entusiasmados com o presente, as crianças estão ajudando na limpeza do local para começar a fazer uso dele o quanto antes.

Antes disso, os meninos que são apaixonados por futebol, jogavam em uma rua que era transformada em campinho. Com muita criatividade, eles usavam as sandálias como traves e os pés davam ritmo à brincadeira que é uma das principais diversões para crianças do município no interior do Maranhão e que possui 47 mil habitantes.

Bola confiscada

O caso das crianças viralizou na internet na última sexta-feira (10). Em um dos lances da partida de futebol, a bola que era usada por eles caiu na casa de uma vizinha que confiscou o objeto. Chateados com a situação, os meninos tiveram a decisão inusitada de procurar a delegacia do município para reclamar.

De acordo com as crianças, Kelvin Coelho, de 12 anos, considerado o ‘líder’ do grupo, teve a iniciativa de procurar a autoridade policial.

“Nós tivemos essa ideia e a gente foi lá. A gente foi lá e falou com o delegado… opa primeiro com a mulher [recepcionista] e depois com o delegado”, disse Kelvin.

Davi, de 11 anos, explicou como tudo aconteceu.

“’Cadê o delegado?’ Ai a mulher [recepcionista] foi chegando assim e falou ‘O que vocês querem?’. Ai ele [Kelvin] falou assim: ‘Não, porque a mulher ali pegou nossa bola’ e ela disse ‘pode entrar’. Ai nós entramos lá dentro”, disse o menino.

O delegado de Presidente Dutra, César Ferro, contou que ficou surpreso com a atitude das crianças. Por conta disso, ele resolveu dar uma bola nova de presente para os meninos que haviam relatado a ele que a antiga estava muito velha.

“Foi algo inusitado, inédito. A gente ficou bastante atônito com a atitude das crianças de procurar a delegacia para resolver seus problemas. Perguntei a eles como era essa bola que ela tinha levado e eles disseram que era uma bola velhinha, bastante murcha, mas que só tinham ela para brincar. Então aí a gente resolveu doar para eles uma bola nova”, explicou.

Os meninos receberam o dinheiro e foram até a loja, junto com os policiais militares, para escolherem e comprarem uma nova bola. Felizes com o presente, eles voltaram à delegacia para agradecer ao delegado e tiraram uma foto que foi compartilhada inúmeras de vezes nas redes sociais.

“A antiga era murcha e ruim. A bola [nova] é boa demais!”

— João Vitor, 11 anos

O ‘tio’ delegado

Por conta da atitude, o delegado, que é de Alagoas, César Ferro caiu nas graças das crianças e ganhou o apelido de ‘tio’. Ele diz que, ao ouvir o relato dos meninos sobre a bola confiscada, voltou aos tempos de infância no interior do sertão nordestino.

“Quando eles começaram a contar eu me vi correndo, jogando e voltando para casa com raiva. Porque eu também tive infância e foi no interior de Alagoas, no sertão de lá, e a gente costumava jogar bola na rua e quem nunca teve um vizinho para pegar sua bola e não devolver, para cortar sua bola com a faca ou para brigar com você?”, disse.

E a vizinha?

A vizinha que tomou a bola e não teve o nome revelado não quis se pronunciar sobre o caso. A mãe de uma das crianças, Gardênia da Silva, afirma que apesar da situação ela é considerada uma boa pessoa e querida por todos da rua.

“É uma vizinha boa, só que no caso das crianças jogar bola na porta dela ela não acha muito bom não. Mas o fato dela ter pegado a bola, isso não significa que ela é uma pessoa má. Pelo contrário, ela não é uma pessoa ruim e sim uma pessoa boa”, explicou Gardênia.

 

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